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Recursos Humanos e as novas tecnologias

04 Jul 2025 5 min de leitura

60% dos profissionais acreditam que a seleção de um colaborador continuará a basear-se no instinto profissional e não em evidências estatísticas

Os departamentos de Recursos Humanos e a função de seleção são cada vez mais apoiados por soluções tecnológicas, como chatbots e software de filtragem automática de CV. No entanto, 93% dos profissionais consideram que o contacto pessoal continuará a ser essencial numa entrevista de emprego e que a decisão final sobre a contratação do candidato depende mais da intuição do que de evidências estatísticas.

A pesquisa "HRTECH: Tecnologia e inovação em recursos humanos" da Talentis, abarcando mais de 400 empresas e 3,400 profissionais em Espanha e Portugal, analisa as mais recentes soluções tecnológicas aplicadas ao mundo do recrutamento e seleção, bem como a perceção e receção destes novos métodos e ferramentas por parte dos profissionais e responsáveis de contratação.

Os principais insights extraídos do relatório são os seguintes:

9 em cada 10 profissionais consideram que o contacto pessoal é essencial num processo de recrutamento

Mais de 90% dos profissionais afirmam que o contacto pessoal é essencial durante um processo de recrutamento e seleção. Seguindo a mesma lógica, 84% das empresas nunca confiariam num software para realizar todas as etapas que compõem o processo, nomeadamente a última fase de entrevistas ou a fase de negociação da oferta de emprego. A automatização das fases de triagem de CVs e contacto por e-mail pré-entrevista são as únicas etapas em que a tecnologia é considerada útil (38% dos profissionais).

Apenas 1% dos profissionais acreditam que uma entrevista pessoal não acrescenta nenhum valor ao processo de seleção

Para 74% dos inquiridos, o principal valor que uma entrevista pessoal oferece é a oportunidade de manter uma conversa descontraída com o responsável de contratação.

Para 10%, uma entrevista pessoal ajuda a conhecer o ambiente, cultura e valores da empresa contratante através do entrevistador, e para 4% dos inquiridos permite a possibilidade de estabelecer um relacionamento profissional de médio / longo prazo com o entrevistador. Uma percentagem muito pequena (1%) considera que uma entrevista pessoal não acrescenta nenhum valor ao processo de seleção.

Apenas 7% dos profissionais aceitam de forma positiva ser descartados por um software

64% dos profissionais não consideram adequado que sua candidatura seja descartada por uma ferramenta tecnológica. Apenas 7% são favoráveis a esta metodologia, pois nesse caso o processo de seleção e descarte baseia-se exclusivamente em dados estatísticos. Por outro lado, uma percentagem significativa de profissionais (74%) pensa que o software de filtragem automática poderia excluir candidatos adequados com base na sua programação (por exemplo: o profissional não incluiu as palavras-chave consideradas pelo programa no seu currículo).

60% dos profissionais acreditam que a escolha de um profissional continuará a basear-se na intuição profissional e não em evidências estatísticas

Apenas 9% acreditam que a seleção de um profissional dependerá principalmente de evidências estatísticas. 6 em cada 10 pensam que "o instinto" e a experiência anterior do recrutador acabarão por ter precedência sobre os dados extraídos de um software tecnológico. Os restantes 31% revelam-se duvidosos – nem de acordo nem em desacordo – relativamente a esta questão.

“Os processos de seleção são condicionados pela necessidade de contacto pessoal, pelo que apenas certas partes se prestam à automatização. Compreender o funcionamento interdepartamental, transmitir nuances culturais, desenvolver estratégias de envolvimento personalizadas e comunicar mensagens específicas exige habilidades humanas, como empatia e pensamento crítico. Por outro lado, aspetos do processo de contratação, como a inclusão/exclusão de dados, envio de testes ou agendamento de reuniões e entrevistas, seguem fluxos de processos específicos – aqui a automatização de processos já é viável e preferível.” Marco Laveda, CEO Latam e South Europe na Talentis.

7 em cada 10 profissionais acreditam que os dados obtidos através de software não têm sentido em si mesmos

81% dos profissionais consideram que os especialistas em Recursos Humanos são essenciais para manter o equilíbrio entre as capacidades humanas e a eficiência das tecnologias durante o processo de recrutamento. Nessa mesma linha, 70% opinam que os dados extraídos de um software não têm significado ou valor até que o profissional de RH os intérprete e os aplique a contextos únicos.

Metade dos profissionais não gostaria de ter que resolver dúvidas básicas sobre uma oferta de emprego com um chatbot

53% dos profissionais não valorizam positivamente ter que resolver dúvidas básicas sobre uma posição (benefícios, horário de trabalho, funções, salário, etc.) com um chatbot em vez de com uma pessoa.

43% dos profissionais não querem dar o seu consentimento para um software analisar as suas redes sociais

Apesar de 80% dos profissionais não se oporem à ideia de ter um software a analisar o seu CV, se entrarmos no campo de verificação de redes sociais, normalmente utilizado para avaliar o encaixe do candidato com a cultura corporativa da empresa contratante, a situação varia significativamente, pois apenas 55% se sentiriam à vontade para dar o seu consentimento para uma ferramenta tecnológica verificar sua impressão digital nas redes sociais.

Relatório "HRTECH: Tecnologia e Inovação em Recursos Humanos"

Neste estudo analisamos as últimas tendências relativas a softwares de recrutamento e de RH, bem como o papel dos profissionais e empresas nessas novas tecnologias de trabalho. Os dados do relatório são baseados numa pesquisa da Talentis em Espanha e em Portugal a 3,400 profissionais de diferentes áreas profissionais (banca, seguros, contabilidade, finanças, RH, finanças, jurídico, IT, digital, marketing, vendas, engenharia, energia, indústria, logística e supply chain, farmacêuticas, saúde, biotecnologia, real estate e infraestrutura, entre outros) e a 400 responsáveis de seleção de empresas pertencentes a um maior número de setores; para além de entrevistas pessoais a consultores especialistas do Grupo Talentis, e em business cases desenvolvidos pelo nosso Departamento de Inovação Global.

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Publicado pela Talentis
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